Os 10 desfiles essenciais para assistir no Dia da Consciência Negra

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Festa Para um Rei Negro, enredo campeão do carnaval 1971 .Foto: Jorge Peter/Ag. O Globo

O dia da Consciência Negra foi instituído como feriado facultativo no Brasil em 2011. A data foi escolhida para coincidir com o dia atribuído à morte de Zumbi dos Palmares, o último líder do Quilombo dos Palmares.

De cada dez brasileiros e brasileiras, apenas dois assumem ser racistas, machistas ou homofóbicos, mas sete admitem já ter feito alguma declaração discriminatória pelo menos uma vez na vida, segundo um mapeamento do Ibope.

Não é preciso nem voltar muito no tempo para perceber efeitos da desigualdade racial no Brasil de hoje, mais de 100 anos após a abolição da escravidão: o desemprego é mais alto entre os negros; um dos jornalistas mais conhecidos do país é afastado do cargo após fazer um comentário racista; um pré-candidato à presidência é condenado a pagar indenização por ofender quilombolas.

Através dos seus desfiles, as escolas de samba exercem o papel de clarear as mentes obscuras que ainda insistem em tentar apagar o brilho e o valor do negro, da cultura afro-brasileira e da África, nosso continente-mãe. E hoje, o CARNAVAL INTERATIVO escolheu os 10 desfiles que são referência quando o assunto é de tema africano:

10º lugar – Viradouro 1994

“Tereza de Benguela uma Rainha Negra no Pantanal.” A Viradouro apresentou a saga da escrava Rainha que viveu no Pantanal Matogrossense e lá fundou um importante Quilombo. Apesar do luxo e da suntuosidade, marca registrada do carnavalesco Joãosinho Trinta, a Vermelho e Branco de Niterói apresentou figurinos repetitivos e carros alegóricos que pesaram no desfile. Ainda assim, arrancou muitos aplausos e conseguiu uma boa colocação.

 

9º lugar – Caprichosos de Pilares 2003

“Zumbi, Rei de Palmares e herói do Brasil” A Caprichosos teve a pretensão de apresentar a história de Zumbi dos Palmares de uma forma inédita, porém, apenas repetiu, e com menos competência, o que já havia sido feito por outras Escolas. O desânimo foi o tom principal do desfile que não conseguiu empolgar os componentes e, tampouco, o sonolento público remanascente nas arquibancadas.

 

8º lugar – Beija-Flor de Nilópolis 1983

“A grande constelação das estrelas negras” A Azul e Branco de Nilópolis realizou um desfile correto, compacto, muito animado e com o luxo de sempre. O enredo era uma homenagem à algumas personalidades negras que se destacavam em várias atividades. Tudo bem ao estilo Joãosinho Trinta, porém com menos requinte do que o habitual. A Beija-Flor conquistava assim o seu quinto título de Campeã, uma vitória que muitos consideraram surpreendente.

 

7º lugar – Viradouro 2015

O enredo “Nas veias do Brasil, é a Viradouro em um dia de graça”, exaltava a importância da raça negra na formação do povo brasileiro. A escola sofreu com a forte chuva, principalmente nas penas de algumas fantasias. Foi prejudicada também com falhas no som, duas já nos 10 minutos iniciais. O último carro mostrou anjos negros: um deles com braço danificado. Infelizmente o rebaixamento não pode ser evitado. Uma curiosidade é que o samba uniu duas composições de Luiz Carlos da Vila, morto em 2008.

 

6º lugar – Portela 1972

“Ilu Ayê, a terra da vida” Nesse ano a Azul e Branco cantou a melhor tradição das Tribos negras chegando às origens do samba. Fez um desfile primoroso, embalada pela ótima Bateria (a Tabajara do Samba) vencedora do Estandarte de Ouro.

 

5º lugar – Salgueiro 1989

“Templo negro em tempo de consciência negra” Na certeza da afirmação da beleza Negra, a Escola da Tijuca se tingiu de vermelho, ouro, prata e preto, deslumbrando a todos. Evocando seus antigos enredos que cantaram o Negro, o Salgueiro arrepiou o Sambódromo. O número excessivo de desfilantes e a evolução muito lenta, devido à coreografia da imponente ala infantil, que dançou o minueto na pista, acabaram tirando a chance do campeonato.

 

4º lugar – Beija-Flor de Nilópolis 2001

“A saga de Agotime, Maria Mineira Naê” A Azul e Branco fez um belíssimo desfile à luz do amanhecer. O fantástico enredo (Estandarte de Ouro), inspirado em relatos da Pajé Zeneida Lima sobre a história de sua tataravô (uma Rainha Africana transformada em escrava no Brasil), foi perfeitamente desenvolvido através de criativas alegorias que apelaram até para o sobrenatural, e das luxuosas fantasias em cores fortes. A comunidade de Nilópolis cantou, a plenos pulmões, o samba de refrão fácil, puxado pelo intérprete Neguinho, embalado pela bateria que veio reforçada por sons africanos. A Beija-Flor foi considerada a Melhor Escola de 2001 pelo júri do Estandarte de Ouro.

 

3º lugar – Salgueiro 1971

“Festa para um Rei Negro” Contando a visita dos príncipes negros africanos a Mauricio de Nassau na histórica Recife, em vermelho, branco, preto e prata, o Salgueiro fez um dos mais lindos e perfeitos desfiles de todos os tempos.

 

2º lugar – Mangueira 1988

“Cem anos de liberdade. Realidade ou ilusão?” Com a autoridade de quem sabe tudo de carnaval, a Verde e Rosa exaltou a raça negra com muitas indagações sobre o futuro e a tal liberdade. Com um olho no Tri a Mangueira foi absoluta cantando a negritude através do lindo samba e de uma primorosa evolução. Mesmo as alegorias, criadas por Julio Matos, não sendo esplendorosas, a Estação Primeira foi a única que realmente mostrou samba no pé e levantou a passarela.

 

1º lugar – Vila Isabel 1988

“Kizomba, Festa da Raça” Kizomba significa o encontro de pessoas que se identificam em uma festa de confraternização da Raça Negra. O samba fantástico, a graça dos movimentos, o jogo de cintura, as ráfias, a palha, o sisal e os tecidos com estampados africanos, jamais serão esquecidos. Tudo funcionou com perfeição e muita emoção. Uma nova concepção artística e um novo conceito estético. E a Azul e Branco levantou o público num grito só, em uma festa linda! Foi considerado o melhor desfile de uma Escola de Samba em todos os tempos. Valeu Zumbi!

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