Introdução à dança do samba

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Muito embora o samba como o conhecemos hoje tenha surgido no Rio de Janeiro, tudo leva a crer que sua origem foi no recôncavo baiano em forma do chamado “Samba de Roda”, que até hoje é cultivado no fim das rodas de Capoeira como forma de descontração.

O surgimento do gênero tem relação direta com fatos históricos do próprio país. O fator principal foi a Lei Aurea – Abolição da Escravatura em 1888. Muitos negros do Norte/Nordeste recém libertos migraram para os grandes centros urbanos do Sudeste em busca de trabalho e melhores condições de vida. Porém, a descendência dos povos escravizados trazidos para a antiga colônia brasileira era diversificada, os negros trazidos para o Norte/Nordeste eram de uma região da África, já os do Sudeste/Sul eram de outra região, ou seja, sua religiosidade, ritos, cultura e língua eram parecidos em alguns casos, mas nunca iguais, seus descendentes quando libertos trouxeram para a então capital Rio de Janeiro toda sua ancestralidade que se misturou aos libertos daqui, aos imigrantes portugueses, italianos, espanhóis, judeus, árabes, japoneses e todo e qualquer povo que aqui aportava. Todo esse “amálgama cultural” aconteceu no centro do Rio, mais precisamente nos bairros da Gamboa, Saúde, Santo Cristo e Praça XI.

O Brasil tem um povo plural, diversificado e o samba nada mais é do que o resultado dessa mistura intensa e intermitente. O ritmo tem elementos de raízes afro-descendentes claras, mas possui influências indígenas e européias pontuais.

A dança do samba tem primos tão próximos que parecem irmãos, e podemos chamar disso porque não. O Jongo, o Tambor de Mina, o Carimbó, o Côco e as danças de salão de origem européia. A pré-disposição a roda dos ritmos afro, o ato dos “pés no chão” remetendo a terra e sua ancestralidade religiosa, os movimentos do baixo-ventre e quadril, a pluralidade e improviso de cada membro são características estritamente africanas. Já a retidão, uniformidade de braços, coreografias marcadas adquiridas ao longo do tempo são do “além-mar” europeu.

Foto: Reprodução Internet

Quem dançava samba não tinha nomenclatura, a dança era praticada por quase todos os membros sem distinção de cor, idade e corpo. O homem dançando com a mulher em um jogo vezes de divertimento, vezes de sedução. O termo “Passista” foi trazido do “Passista do Frevo” nordestino. Já os primeiros Passistas de Escola de Samba surgiram entre a década de 60/70, os relatos nos levam a Oswaldo Cruz e referem-se ao chamado Tijolo da Portela. Considerado louco pela forma de se vestir e de dançar, mas que marcou história e é conhecido como o primeiro Passista de Escola de Samba em moldes contemporâneos. Outros surgiram como Gargalhada da Mangueira, Vitamina do Salgueiro, Magno Show, as mulatas ou cabrochas Nega Pelé, Roxinha, Nega Pináh, Adele Fátima, Aldione Senna e tantas outras e outros que deram base ao que o segmento Passista representa hoje em dia.

Os passistas até meados da década de 90 desfilavam em casais, ou grupos pequenos de casais a frente de alas e carros alegóricos, a Mocidade Independente de Padre Miguel foi a primeira escola a formar os dançarinos em ala única e logo a invenção foi usada em todas as escolas.

Ser Passista nada mais é do que traduzir com o corpo a musicalidade e o sentimento do verdadeiro de um povo. A dança é liberta, plural, alegre e sobretudo espontânea”.

Bibliografia sugerida:
“Escola de Samba – A árvore que cresceu e esqueceu a raiz” Candeia e Isnard.
“Samba, o Dono do Corpo” Muniz Sodré
Texto: Gabriel Castro(Acadêmico em História, Comentarista/Colunista de Carnaval, Diretor de Passistas do GRES Império Serrano e GRESE Império da Tijuca, Coreógrafo de Comissão de Frente do GRES Arranco do Engenho de Dentro, Passista Estandarte de Ouro 2015 – Mocidade Independente de Padre Miguel e fundador do Projeto “Eu Sambo Assim”)
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