Capítulo 3 – Carnavais esportivos
Parte 1: Enredos com o esporte como pano de fundo

Em 1981 a Imperatriz foi bicampeã do carnaval homenageando Lamartine Babo, um dos maiores compositores do Brasil e que escreveu os hinos dos grandes clubes de futebol carioca (Flamengo, Vasco, Fluminense, Botafogo, América, etc…).

Em 1988 a União da Ilha homenageou Ary Barroso outro grande compositor que também atuou como locutor esportivo e era torcedor do Clube de Regatas do Flamengo.

No carnaval de 2002 a Vila Isabel levou para a avenida a história de Nilton Santos, célebre futebolista do Botafogo de Futebol e Regatas e da Seleção Brasileira, conquistando por esta os títulos mundiais de 1958 e 1962. Numa apuração confusa, onde uma das juradas confessou meses após o carnaval ter trocado por engano as notas da Vila Isabel e da União da Ilha, a escola do bairro de Noel adiou a sua volta para o Grupo Especial. Naquele ano a campeã foi a Acadêmicos de Santa Cruz.

Em 2003 a Tradição fez uma homenagem a Ronaldo Nazário de Lima, artilheiro da Copa do Mundo de 2002 e maior nome do futebol brasileiro na época. Com um samba que não foi dos mais aclamados e um desfile que os críticos apontaram como um dos mais fracos do ano e da escola, a Tradição terminou na décima terceira (e penúltima) posição. A frente apenas da Santa Cruz que tinha acabado de subir. Ainda nesse ano, a Unidos de Lucas com uma bela homenagem a Bernard, grande nome do vôlei brasileiro e criador do saque “Jornada nas Estrelas” conquistou o título do Grupo C na Avenida Rio Branco, que vivia os seus últimos momentos como sede dos desfiles das escolas de samba.

A Unidos do Uraiti em 2005 teve como tema de seu enredo o jogador de futebol e treinador Rildo Menezes, que atuou por clubes como Sport, Botafogo e Santos entre os anos sessenta e setenta. A escola se sagrou campeã do Grupo E naquele ano.

No ano de 2007 a Unidos de Lucas se aventurou novamente ao incluir o esporte em um dos seus temas carnavalescos. Com “Circo, futebol e samba. A expressão de um povo”, o Galo de Ouro da Leopoldina mostrava três grandes paixões populares num enredo inusitado. Após um bom desfile a escola ficou com a quarta colocação do Grupo B daquele ano.

Ao falar de Saquarema, a Tradição trouxe o esporte, que se fez presente nas referências ao vôlei e ao surfe no seu enredo de 2009.

A ex-nadadora e presidente do Flamengo na época, Patrícia Amorim foi homenageada pelo Arrastão de Cascadura no carnaval de 2012 em um desfile problemático que culminou com a queda da agremiação para o grupo de baixo.

Em 2014 no Grupo Especial, a Imperatriz contou a história de Zico, maior nome do Flamengo e um dos mais reverenciados jogadores brasileiros. Com uma luxuosa apresentação, a agremiação de Ramos acabou no quarto lugar. A campeã daquele ano foi a Unidos da Tijuca que chegou ao seu quarto título com um enredo sobre a velocidade que conteve uma pontual homenagem a Ayrton Senna, maior ídolo brasileiro do automobilismo nos 20 anos de sua morte.

 

Capítulo 3 – Carnavais esportivos
Parte 2: Enredos em homenagens à instituições esportivas

No carnaval de 1974, em seu primeiro desfile o Arrastão de Cascadura trouxe: “Flamengo, glória de um povo”. Algumas fontes afirmam que as cores originais da escola eram o vermelho e preto, alusivos ao popular clube. Depois é que teria vindo a mudança para o atual e conhecido verde e branco. Em 1990, a recém-promovida a escola de samba, Difícil é o Nome também apresentou um enredo em homenagem ao “Mais Querido” que recebeu o título “Tua glória é lutar Flamengo, Flamengo”.

Confirmando o posto de clube mais cantado no carnaval carioca, o Flamengo foi enredo novamente em 1995, ano do seu centenário. Desta vez a homenagem se deu no Grupo Especial através da Estácio de Sá. A escola foi ovacionada pelo público graças ao apelo popular do time mas acabou apenas na sétima posição naquele ano. Ainda assim essa é até hoje a melhor colocação de uma escola de samba ao homenagear um time de futebol no Grupo Especial.

Em 1998 o Clube de Regatas Vasco da Gama completava cem anos e a Unidos da Tijuca prestou uma bela homenagem ao clube cruzmaltino com um samba que até hoje é entoado pela torcida nos jogos do clube, sendo o único a alcançar este feito.  A escola acabou na penúltima posição naquele ano e sofrendo o descenso para o Grupo de Acesso, num resultado que muitos consideram injusto.

A Acadêmicos da Rocinha em 2003 também comemorou o centenário de um clube, desta vez quem fazia o aniversário era o Fluminense Football Club. Num desfile com claros problemas financeiros, a Rocinha acabou no décimo lugar, quase sendo rebaixada para o Grupo B.

Outro time centenário que recebeu homenagem em forma de enredo no carnaval carioca foi o América Futebol Clube. A Unidos da Ponte em 2004 trouxe a história do simpático clube para a Marquês de Sapucaí num desfile bastante honesto dadas as condições da escola. A agremiação de São João de Meriti ficou no quinto lugar com a apresentação.

 

Capítulo 3 – Carnavais esportivos
Parte 3: Enredos em homenagem a esportes específicos

Com a proximidade da Copa do Mundo de 1986, a Unidos de Lucas levou para o sambódromo o enredo com o engraçado título “No ano da Copa, bota no meio”, onde fez uma homenagem ao futebol através dos clubes cariocas e da seleção brasileira que ainda buscava o tetracampeonato na época. Com um samba de gosto muito duvidoso a escola se segurou a duras penas no Grupo 1B, nessa sua primeira “intervenção esportiva” na folia.

Ainda em 1986 a Beija-Flor de Nilópolis, também motivada pela Copa do Mundo que se avizinhava, apresentou um dos seus maiores desfiles. Debaixo de um verdadeiro dilúvio, onde os seus componentes desfilaram com água na altura dos joelhos, a escola da baixada fluminense contou a história do futebol com o seu luxo característico em mais uma demonstração de genialidade criativa de Joãozinho Trinta. Foi uma das maiores demonstrações de garra dos componentes de uma escola de samba na história do carnaval. No final a Beija-Flor ficou com o vice-campeonato em um resultado bastante contestado até os dias de hoje.

Em 2001 a Unidos do Jacarezinho prestou homenagem ao estádio do Maracanã, palco vários momentos inesquecíveis do futebol brasileiro. A escola por pouco não conseguiu o acesso, ficando na terceira colocação do Grupo B daquele ano.

Apenas em 2014 a Copa do Mundo voltou a motivar um desfile. O Boca de Siri com o enredo “Tem futebol no país do carnaval” a escola ficou não conseguiu ir além do nono lugar, quase caindo para o Grupo D.

 

Capítulo 3 – Carnavais esportivos
Parte 4: Enredos em homenagem a eventos esportivos

Em meio à candidatura da cidade do Rio de Janeiro como cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2004, a Mangueira levou para o sambódromo em 1997 o enredo “O olimpo é verde e rosa”, contando a história dos jogos olímpicos e tentando reforçar as pretensões da cidade. A Olimpíada foi parar em Atenas na Grécia e a medalha de bronze ficou com a Estação Primeira, que conquistou um honroso terceiro lugar naquele ano.

A Inocentes de Belford Roxo (chamada de Inocentes da Baixada na época) fez um carnaval em homenagem aos Jogos Pan-Americanos e também exaltando o desejo da cidade de sediar uma Olimpíada. Com a décima colocação obtida, a Inocentes (da Baixada) desceu de grupo e voltou a usar o seu primeiro nome. No ano seguinte, o Arrastão de Cascadura também levou o Pan para o desfile, dessa vez na Intendente Magalhães. Com o enredo: “O Rio em ação é Pan no carnaval do Arrastão” a escola ficou apenas na sétima posição no Grupo C.

No ano do Pan (2007), a Portela trouxe novamente os Jogos para a avenida, contando a história das competições esportivas. Com um samba inspirado, a escola de Madureira ficou apenas em oitavo lugar.

Em 2012 a União da Ilha homenageou a cidade de Londres, sede das Olimpíadas daquele ano com um desfile que primou pelo bom gosto plástico. A colocação final da escola foi a mesma que a Portela obteve em 2007. Quatro anos depois (2016) a mesma União da Ilha repetiu a dose ao fazer das Olimpíadas no Rio o tema do seu enredo, que desta vez teve o seu foco bem maior nas competições esportivas do que em 2012. A escola acabou ficando em décimo primeiro lugar cantando os Jogos do Rio.

Na Intendente Magalhães os Jogos também não foram esquecidos. A recém fundada Corações Unidos do Favo de Acari (junção das escolas Corações Unidos do Amarelinho e Favo de Acari) levou para a avenida o enredo: “Os Deuses do Olimpo rasgam o céu do Rio de Janeiro na festa do esporte para brincar no carnaval”. Acabou classificada na décima colocação do Grupo B. A Colibri de Mesquita preferiu falar das Paralimpíadas, obtendo também o décimo lugar entre as quatorze escolas que disputaram o Grupo E.

Este foi o Especial do Mês Olímpico do CARNAVAL INTERATIVO que aproveitou o momento olímpico na cidade do Rio de Janeiro para falar de como os esportes e o carnaval se complementaram ao longo dos anos, muitas vezes sem se fazer notar essa cumplicidade.

Até o mês de setembro!

Confiram os episódios anteriores:
Capítulo 2 – Esporte: sambistas e comunidade
Capítulo 1 – Aspectos históricos

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