Capítulo 2 – Esporte: sambistas e comunidade

 

Um projeto pioneiro entre as escolas de samba consistiu na criação de um departamento de esportes para atender à sua comunidade e dar oportunidade a várias crianças de crescerem de forma saudável e terem a oportunidade de trilharem bons caminhos em suas vidas. Isso aconteceu na Estação Primeira de Mangueira.

O projeto se iniciou com iniciativa do presidente da Mangueira na época, Carlos Alberto Dória. Ele recebeu o apoio de Francisco de Carvalho (o Chiquinho da Mangueira, atual presidente da Verde e Rosa e que foi escolhido como o diretor de esportes da Mangueira desde então), além de Tia Alice e outros nomes importantes da Estação Primeira de Mangueira para tirar do papel o sonho da inclusão de jovens cariocas através do esporte.

Através da formação de parcerias com instituições públicas e privadas, a Vila Olímpica da Mangueira foi criada e hoje atende a cerca de 3500 crianças e jovens, beneficiando mais de 30 mil pessoas por ano. Entre as modalidades passadas pelo programa social estão o ATLETISMO, FUTEBOL, FUTSAL, NATAÇÃO, GINÁSTICA RÍTMICA, BASQUETE e recentemente, BOXE e LEVANTAMENTO DE PESO.

Reconhecido por renomadas entidades como um dos maiores projetos sociais desse tipo no mundo, a Vila Olímpica recebeu em 1997 a visita do então presidente dos EUA, Bill Clinton que quis ver de perto como a ideia de uma escola de samba proporcionar uma melhoria de vida para os jovens carentes através do esporte. Em 2005, o maior velocista da era moderna, o jamaicano Usain Bolt, também visitou as instalações da Vila Olímpica da Mangueira, elogiando o projeto.

Em quase 30 anos de funcionamento, o projeto já formou milhares de atletas que disputam competições pelo Brasil e pelo mundo. E alguns desses atletas disputam os Jogos Olímpicos Rio 2016. É o caso de Érika de Souza, Clarissa Santos e Isabela Ramona, da seleção feminina de basquete e Tamires Morena, da seleção feminina de handebol. No atletismo, Thiago do Rosário e Fabiana dos Santos Moraes também disputarão medalhas tendo sido lançados pela Mangueira. E um dos meninos que frequenta a Vila Olímpica foi o responsável por acender a pira olímpica que queimará no Centro do Rio até o final dos jogos: Jorge Alberto Gomes, de 14 anos, que pratica atletismo.

Em 1996 o GRES Acadêmicos do Salgueiro também inaugurou a sua Vila Olímpica que funciona ao lado de sua quadra na Rua Silva Teles, para acomodar o projeto desenvolvido pela agremiação nos mesmos moldes implantados na coirmã e madrinha, Estação Primeira de Mangueira. A Beija-Flor de Nilópolis também conta com um ginásio esportivo e um parque aquático ao lado da sua quadra, onde oferece uma atenção especial aos jovens da região, também através de cursos e do esporte. Outra agremiações como a Mocidade Independente de Padre Miguel também possuem um departamento de esportes com a mesma finalidade das citadas anteriormente. Por fim, a Portela também dá o seu incentivo ao esporte patrocinando diversos atletas em modalidades como caratê e luta greco romana. Ao lado da Cidade do Samba também funciona a Vila Olímpica da Gamboa, mais uma vez deixando próximos os universos esportivo e carnavalesco.

Os locais das Vilas citadas aqui:

  • Vila Olímpica da Mangueira: Rua Santos Melo, 73 – Mangueira
  • Vila Olímpica do Salgueiro: Rua Silva Teles, 104 – Andaraí
  • Centro Esportivo da Beija-Flor: Rua Pracinha Wallace Paes Leme, 1025 – Centro, Nilópolis
  • Vila Olímpica da Gamboa: Rua da União, s/nº – Gamboa

Como uma via de mão dupla, os esportes também ajudam os sambistas a melhorarem o seu desempenho na avenida. É o caso das porta-bandeiras Squel Jorgea (da Mangueira) e Amanda Poblete (da Vila Isabel) que praticam aulas de pilates para auxiliar na preparação para os desfiles e diversas apresentações em que participam. Já Thais Romi (ex-Porto da Pedra) e Alcione Carvalho (porta-bandeira da Estácio de Sá) são adeptas da musculação e do crossfit (série de atividades físicas realizadas em alta intensidade) para aumentar a força e resistência para aguentar o ritmo puxado de ensaios durante a temporada. Marcella Alves, como é de conhecimento da grande maioria das pessoas, é formada em educação física e atua como personal trainer quando não está empunhando o pavilhão do Salgueiro. Educação Física que também é o curso que Evelyn Bastos, rainha de bateria da Mangueira faz na UERJ.

Como vocês podem ver, são muitas as contribuições que os esportes e o samba dão um ao outro e a quem participa do seu entorno. Na próxima semana falaremos sobre os desfiles que tiveram o esporte como tema nesse Especial do Mês Olímpico aqui no CARNAVAL INTERATIVO.

Confiram o episódio anterior:
Capítulo 1 – Aspectos históricos

- Anúncio -